Península de Maraú – Maraú/BA

Uma faixa estreita de terra separa a terceira maior baía do Brasil, a Baía de Camamu, de praias paradisíacas de areias brancas e muitos coqueiros no litoral sul da Bahia. É a Península de Maraú, um destino que vem ficando famoso, mas ainda se beneficia do difícil acesso e do controle nas construções para preservar sua autenticidade, natureza e encantos. (mapa ao fim deste post)

Chegar à Península de Maraú não é tarefa fácil. Requer paciência, um veículo adequado e vértebras no lugar para aguentar os buracos da rodovia BR-030, que começa em Brasília, mas chega a Maraú aos pedaços. O tempo e esforço, sem dúvidas, recompensam com paisagens únicas e os sons da natureza. E você acaba agradecendo por encontrar um cantinho tão especial onde os ônibus lotados de turistas ainda não conseguem alcançar.

1. Sobre a Península de Maraú

Localizada 270 km ao sul de Salvador e cerca de 120 km ao norte de Ilhéus, a Península de Maraú está localizada na região turística da Bahia conhecida como a Costa do Cacau. Provavelmente você vai ler na internet ou chegar por lá e ainda encontrar plaquinhas que indicam a Costa do Dendê, de onde o destino fazia parte até uma mudança recente no início de 2020. A questão é: dendê e cacau não faltam por lá!

Uma das áreas mais preservadas da Bahia, a Península é cercada por praias desertas e outras mais movimentadas, áreas de corais, piscinas naturais, manguezais, estuários, pequenas ilhas, Mata Atlântica e até cachoeira. Um destino para quem ama sol, descanso na natureza, passeios de barco e aventuras leves, como trilhas, Stand Up Paddle e quadriciclo.

Na Península hoje vivem pouco mais de 20 mil habitantes, divididos em pequenas comunidades. Durante muito tempo a maioria dos jovens saía de lá para as grandes cidades em busca de estudo, emprego e oportunidades. Hoje, com o turismo tornando-se uma realidade na região, muitos marauenses têm permanecido com suas famílias.

O turismo passa bem longe do centro da cidade de Maraú, onde o tempo parece que parou. Possivelmente você só irá avistá-lo de longe, se fizer um passeio de barco até a famosa Cachoeira do Tremembé. Mas a Península tem diversos distritos e comunidades que merecem a sua visita.

2. Como chegar

A melhor maneira de chegar até a Península de Maraú é voando até o aeroporto de Ilhéus e, em seguida, pegando um transfer ou alugando um carro até seu destino final. Serão cerca de 2h30 na estrada. Vindo por Salvador a distância é bem maior: 270 km e 6 h de carro. É bem possível que sua pousada ofereça a possibilidade de marcar um transfer, ou você pode consultar alguma das agências locais, como a Marau Tours. Prepare o bolso, pois a distância é longa e a estrada não ajuda. Ida e volta (a partir de Ilhéus) podem sair acima de R$ 800 (um carro para até 4 pessoas).

Se você quiser fazer da maneira mais econômica possível, pode pegar um ônibus saindo do Terminal Rodoviário de Ilhéus até Camamu, por valores entre R$ 30 e R$ 40. Chegando em Camamu você precisará pegar uma lancha rápida de linha, que sai de hora em hora para Barra Grande (a vila principal de Maraú) – também no valor de R$ 40.

Embora eu não seja muito adepta das viagens de carro, estar motorizada (de preferência com um 4×4) na Península é o melhor caminho para quem quer se locomover com mais tranquilidade entre as praias e atrativos. São poucas opções de taxis e muitos passeios não buscam diretamente na pousada.

3. Quando ir para a Península de Maraú e dicas para se programar

O litoral da Bahia recebe visitantes o ano inteiro com poucas variações de temperatura. Embora os meses mais frios sejam junho em julho, com temperaturas alcançando entre 21°C e 24°C, não podemos dizer que chegue a ser um inverno rigoroso. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, mas os meses mais secos em geral são janeiro e fevereiro e, portanto, é a época em que as águas ficam mais cristalinas para observar os peixes nas piscinas naturais.

É bom lembrar apenas que, de dezembro a março, temos a alta temporada e o destino pode estar mais cheio e os preços mais altos. No meio do ano algumas pousadas e restaurantes podem não funcionar por causa da baixa temporada.

O mais importante na sua decisão de quando ir para a Península de Maraú, porém, deve ser a fase da lua e a tábua de marés. Todo o litoral da Bahia sofre grande influência das marés, que podem variar em mais de 2 metros de diferença. Elas vão impactar diretamente nas suas experiências de praias, passeios de barco, snorkeling ou mergulho, por isso, é muito importante se programar de acordo com elas.

Dicas para organizar a programação:

– programe-se para estar lá durante ao menos uma lua cheia ou lua nova. Nesses dias temos a Maré Grande (ou Maré Viva), quando ela chega a seu nível mínimo, possivelmente 0,0 m ou 0,1 m. É nesses momentos que as piscinas naturais ficam realmente visíveis (o ideal é que a maré esteja no máximo em 0,5 m).

– reserve os dias de lua cheia e lua nova para visitar as piscinas naturais de Taipu de Fora e a Praia de Algodões e os dias de Maré Morta (quando a amplitude das marés é menor) para os passeios de barco – mas confira sempre com seu barqueiro ou agência os melhores dias para sair de barco.

– as marés variam normalmente com a diferença de 6 horas, mas esses horários não são fixos. Portanto, é preciso checar o horário exato em que a maré estará em seu nível mais baixo no dia desejado.

4. O que fazer na Península de Maraú

Taipu de Fora

Já que já estamos falando desta praia incrível, talvez uma das mais bonitas e principal atrativo da Península, continuemos então. Minha sugestão é realmente você começar organizando sua programação com a ida a Taipu, de acordo com o dia e horário da maré mais baixa, e a partir daí, definir os outros dias.

Taipu de Fora é uma praia de areias durinhas, coqueirais e águas claras e calmas que se transformam quando a maré enche. Sim, parecem até duas praias diferentes. A praia fica perto da vila de Barra Grande e, quem está sem carro, tem a opção de pegar uma jardineira entre os dois locais. A passagem custa entre R$ 10 e R$ 12.50 por pessoa, dependendo na época do ano, mas não há horário certo de saída. O táxi custa cerca de R$ 60 no mesmo trajeto.

Para observar os peixes uma máscara e snorkel são suficientes, já que eles ficam bem no rasinho, encostados nos corais. Você pode alugar os equipamentos na areia da praia mesmo por R$ 15. Também são oferecidos coletes salva-vidas e nadadeiras, que eu sou contra porque perturbam a vida marinha e os corais desnecessariamente. O tempo de maré baixa é curto, então programe-se para chegar na praia e ir logo aproveitar a piscininha. Depois você toma sol e tira fotos!

Passeio de barco pelas ilhas da Baía de Camamu

Esse passeio cenográfico leva cerca de quatro horas e faz um tour pelas ilhas e praias que ficam voltadas para o interior da Península, na Baía de Camamu – a terceira maior baía do Brasil, depois da Baía de Todos os Santos e da Baía de Guanabara. É uma região bem linda e de paisagens diferentes das praias oceânicas, com águas paradas, translúcidas e grandes áreas de mangues preservados.Você pode fazer esse passeio de duas formas: em escuna com outras pessoas ou em uma lancha privativa. Como estamos em época de pandemia, dei preferência à lancha privativa, que garantiu meu conforto e segurança. Várias empresas fazem o passeio nas duas versões, como a Maraú Tours e a Camamu Adventure. Fiz o tour com o comandante José Augusto (Whatsapp: (73) 99943-4597), que é craque no roteiro há muitos anos e faz um passeio bem especial, fugindo das multidões. Ele organiza o passeio saindo tanto do porto da Barra, quanto do porto do Jobel (para quem está mais perto das praias de Algodões e Cassange). Se entrar em contato com ele, diga que a Ana do Viajar Verde que indicou para que ele faça um preço de amigo!

Durante o passeio nós visitamos as ilhas do Goió, Campinho, Sapinho e a Ilha da Pedra Furada. Nesta pedra, ao contrário da versão mais famosa que fica em Jericoacoara, não há filas e o cenário é ainda mais paradisíaco. Para entrar na pequena ilha, porém, pagamos uma taxa de R$ 5 de conservação.

A Ilha do Sapinho é a nossa parada para almoço. Alguns restaurantes se organizaram por lá e oferecem pratos bem similares. A pedida mais clássica é a lagosta que custa cerca de R$ 170, com acompanhamentos, em um prato bem servido para duas pessoas.

Cachoeira do Tremembé

Esse é mais um passeio para ser feito de barco, embora alguns poucos guias ofereçam a opção de trilha. Você pode também combiná-lo com o passeio pelas ilhas, o que deixa o dia mais intenso e cansativo, mas você ganha na economia (fazendo os dois juntos fica mais barato).

Para chegar até a Cachoeira do Tremembé, nós passamos de barco pelo Rio do Céu, que é formado por uma brecha estreita no mangue, deixando o percurso mais incrível. A região tem 33 km de manguezais preservados, onde vivem caranguejos, aratus, siris, ostras, lambretas e sururus.

A Cachoeira do Tremembé é surpreendente – uma queda de 30 metros que deságua diretamente na Baía de Camamu, formando o encontro do Rio Maraú com o mar. O interessante do passeio é que as lanchas descobriram um jeitinho de embicar embaixo da cachoeira e você pode tomar seu banho de dentro do barco, ou claro, optar por mergulhar no delicioso lago que se forma.

Meninos que moram na comunidade do Tremembé ficam na beira da cachoeira oferecendo para você fazer uma curtíssima trilha (menos de 5 minutos) até às piscininhas naturais na parte de cima. Não tente fazer sem um deles. As pedras escorregam e somente eles conhecem todos os macetes. O passeio custa R$ 15 e demora no máximo 40 minutos. Se você tiver uma papete ou sapatilha de borracha, vale à pena levar.

Vila de Barra Grande e por do sol na Ponta do Mutá

A vila de Barra Grande é o “centrinho turístico” da região, onde o comércio foi se estabelecendo por causa da chegada dos barcos e lanchas rápidas que vêm direto de Camamu. Mas não espere uma super infraestrutura! Barra Grande ainda é formada por poucas quadras e casas, ruas de areia e apenas o número necessário de restaurantes e pousadas. Há lojinhas, pequenos mercados e farmácias para resolver as principais necessidades. Se você quer estar perto do movimento, é o melhor lugar para ficar.

Em Barra Grande estão três das principais praias da Península e as que ficam bem na pontinha dela, fazendo a curva entre a baía e o mar aberto: a Ponta do Mutá, a praia dos Três Coqueiros e Bombaça. A Ponta do Mutá é indicada como um dos melhores lugares para se assistir o pôr do sol em Maraú. Com uma infraestrutura mais urbana e opções de quiosques mais simples e outros mais descolados, ela ainda consegue preservar algo de especial e remoto. É importante lembrar que o sol se põe cedo por lá (no máximo às 17h30) e é bom chegar com antecedência para garantir um bom lugar.

Trilhas, aventura e ecoturismo

Embora o turismo na Península de Maraú tenha se desenvolvido principalmente pelas praias, eu proponho que, se você tiver a oportunidade, procure conhecer o destino de outras formas, se aventurando e explorando a natureza. A maioria das agências locais vai oferecer exatamente os mesmos passeios. Mas, se você tiver vontade de fazer trilhas, ter aulas de SUP ou surf, indico a Marruá Esportes na Natureza. O guia Gutemberg faz roteiros personalizados e te leva para conhecer o destino de uma forma muito mais autêntica. E, pode claro, te acompanhar nos passeios tradicionais também!

Galeria de Fotos

Fonte: Viajar Verde

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