LENÇÓIS MARANHENSES, O DESERTO DAS ÁGUAS – MA

É bem verdade que viajar por esse mundão faz parte da minha vida. Mas, sinceramente, posso afirmar que poucas paisagens naturais me causaram tanto impacto quanto a visão quase vertiginosa desse deserto “molhado” brasileiro. É de tirar o fôlego! Uma imensidão formada por dunas de areias brancas entremeadas por lagoas azuis cristalinas de águas pluviais. O resultado dessa combinação inusitada não poderia ser outro senão um cenário majestoso, imponente, surreal, inacreditável, esplêndido, quase uma miragem. Adjetivos demais? Certamente, não. Os Lençóis Maranhenses inspiram muito mais do que isso.

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O PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS


Dividido em Grandes Lençóis e Pequenos Lençóis e tendo o rio Preguiças ao meio, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses tem uma área maior do que a cidade de São Paulo, 155 mil hectares. É enorme. Foi criado em 1981 para facilitar a preservação de seus ecossistemas. São milhares de dunas e lagoas de água doce abastecidas pelas chuvas que caem com vontade de janeiro à junho – estação chuvosa. Os meses em que mais chove são março, abril e maio. Em junho, julho, agosto e setembro as lagoas estão com seu estoque máximo de água. Algumas delas chegam a ter até cinco metros de profundidade e dois quilômetros de extensão. É a melhor época para visitar a região. Depois disso, elas vão secando gradativamente até chegar o próximo período de chuvas, quando renascem.

Os Pequenos Lençóis ficam em direção ao Ceará, do lado direito do rio Preguiças (veja no mapa que está mais acima). Como o próprio nome diz, são pequenos. Isso significa apenas que abrangem uma área menor, mas não que sejam menos bonitos. Como tem acesso mais fácil do que os Grandes Lençóis (uma hora de barco pelo Rio Preguiça) recebem um número maior de visitantes.

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Os Grandes Lençóis ficam em direção ao Pará, do lado esquerdo (ocidental) do rio Preguiças. Tem acesso mais difícil do que os Pequenos Lençóis para os visitantes. É preciso ter um carro de tração nas quatro rodas e que passe sem dificuldade por areais e pequenos riachos. Atolar o carro pode até ser parte do programa. Porém, ao chegar lá… qualquer dificuldade no percurso se justifica. É a visão do paraíso. Areias branquíssimas, águas azuis ou esverdeadas cristalinas, em tons suaves. Deslumbrante. Uma daquelas cenas que não saem jamais da nossa memória.

Esse capricho da natureza vem sendo esculpido ao longo de séculos pelo vento que sopra constantemente por ali e das chuvas sazonais. E, está sempre se modificando. Sorte a nossa. Pois assim, não é possível construir nada, além de algumas palhoças que com o passar do tempo vão sendo demolidas e soterradas pelas mãos da própria natureza que tem a incumbência de cuidar da preservação dos Lençóis.

OS PASSEIOS

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1. Sobrevoar os Lençóis. Vale a pena pagar 200 reais por pessoa, num aviãozinho monomotor bem velhinho, para ter uma visão privilegiada da região. Escolha um dia ensolarado para curtir o colorido das dunas e das lagoas. Tem aviões com capacidade para três ou seis passageiros. O telefone da empresa WM é (98) 3349.1340.

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2. Lagoa Bonita. Que sem dúvida nenhuma é a mais bonita dos Lençóis. O nome faz jus à lagoa. No entanto, o trajeto para chegar lá é bem rudimentar. Em primeiro lugar é preciso um carro com tração nas quatro rodas, para fazer o percurso de 25 quilômetros, em uma hora entre balsa, areais e trechos alagados. Chegando lá, o restante é feito a pé. Disposição é palavra de ordem. Tem uma duna alta para subir com auxílio de uma corda e no topo dessa rampa íngrime a recompensa é certa. Pois, além de ser linda é a menos visitada, mais virgem e mais sossegada.

Em todos os hotéis e no centro de Barreirinhas há agências disponíveis para contratar a aventura. Há duas opções para esse passeio. A primeira e mais confortável é alugar um carro com guia particular por 380 reais, para o máximo de quatro pessoas. O guia é indispensável, pois há muitas trilhas de areia, todas iguais, que se cruzam. Também dá para ir em grupos de até 12 pessoas, por 60 reais cada. Só não sei o que acontece com a coluna daquelas pessoas na volta. Os jipes que atendem aos grupos têm cadeiras duras, são abertos e alguns nem capota têm. Eu diria que é uma grande roubada. Melhor pagar mais caro e garantir o conforto.

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Esse é o Constantino com seu radinho, pertinho da Lagoa Bonita.



Para almoçar paramos no único restaurante que tem no caminho que é o do Constantino. Um senhor muito gentil que prepara com sua esposa uma galinha caipira. O almoço é rústico, com um astral encantador. Algumas, poucas, mesas e cadeiras repousam preguiçosamente num quiosque à sombra de um cajueiro. Depois da comilança se quiser dar um cochilo, redes ficam chamando por você. Não deixe de comprar a castanha de caju torrada na hora pelo seu Constantino. Espetacular!

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3. Lagoa Azu
l. Partindo de Barreirinhas são 15 quilômetros por uma estrada bem emocionante. Travessia de balsa, trilhas de areia e muita água pelo caminho. Como o trajeto é menor, o número de visitantes é bem maior… Quem gosta de ficar sozinho, em paz e longe da confusão deve ir à outro lugar que não a lagoa Azul. Com uma pequena caminhada é fácil chegar na Lagoa do Peixe e em várias outras que mudam constantemente de formato e de nome.

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4. Povoados de Vassouras, Caburé, Mandacaru, Atins e visita aos Pequenos Lençóis. Um passeio interessante é subir de barco pelo rio Preguiças até o local onde os Pequenos Lençóis encontram o oceano Atlântico. O rio margeia a cidade de Barreirinhas e se estende até o mar. É cercado por uma vegetação exuberante, tem igarapés e povoados ribeirinhos que vivem do turismo, da pesca e da produção de artesanato feito com a palha do buriti (um tipo de palmeira da região).

A primeira parada do barco é em Vassouras. Dali o acesso para as lagoas dos Pequenos Lençóis é fácil. Caminhe pelas dunas, dê um mergulho na lagoa que preferir e depois faça uma pausa no bar da família Dias para tomar uma água de coco, antes de seguir caminho.

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A próxima parada do barco é em Caburé, um povoado bem maior. Tem algumas pousadas simples, restaurantes que servem peixes fresquíssimos e aluguel de quadriciclo para passear pela praia. É um lugar bem cheio de visitantes.

Agora é a vez de descer do barco para conhecer Mandacaru e subir no famoso farol listrado de branco e preto. Assim que o barco atraca vem um montão de crianças correndo, em troca de alguns trocados para levar o visitante ao farol e desfiar seu repertório que inclui o “Xote das Meninas”, de Luíz Gonzaga.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

De junho à setembro quando as lagoas estão cheias e terminou a estação das chuvas. Mas, perfeito mesmo é o mês de junho quando a beleza natural dos Lençóis ganha a graça das Festas Juninas e da tradicional Vaquejada de Barreirinhas.

Fonte: Viajar pelo Mundo

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